O corte que virou voto – Como uma resposta no calor do debate mudou os rumos da eleição em Porto Velho

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O corte que virou voto – Como uma resposta no calor do debate mudou os rumos da eleição em Porto Velho

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Em 2016, Hildon Chaves era considerado um nome secundário na disputa pela prefeitura de Porto Velho. Estava em quarto lugar nas pesquisas e sua candidatura tinha um objetivo claro: construir reputação política, preparando terreno para 2018.

Sem histórico de mandato, sem grupo político consolidado e sem grande estrutura partidária, sua campanha parecia modesta diante dos favoritos. A estratégia era simples: apresentar o currículo, ganhar visibilidade e se posicionar como alternativa técnica para o futuro.

Mas então veio o debate.

Na semana que antecedia o primeiro turno, um episódio inesperado virou o jogo. O candidato Williames Pimentel, que até então mantinha o tom cordial, questionou por que Hildon havia deixado o cargo de promotor do Ministério Público para ser prefeito, ganhando menos. Até ali, tudo dentro do previsível.

O problema foi a insinuação seguinte: Pimentel afirmou que Hildon havia “feito fortuna comercializando educação”. A frase, aparentemente calculada, atingiu diretamente a honra de quem passou duas décadas empreendendo no setor e construiu, com a esposa, um conglomerado educacional reconhecido.

A resposta foi no ato — e no calor da emoção:

“Diferente do senhor, que ora mama há 30 anos nas tetas do Governo do Estado ou da Prefeitura… eu conheço um ladrão com dois minutos de conversa.”

O impacto foi imediato. Mas não foi a campanha de Hildon que explorou o corte.
Curiosamente, um site que apoiava outro candidato — Leo Moraes, que também disputava a eleição e acabou indo para o segundo turno com Hildon — impulsionou o vídeo, tentando enfraquecer Pimentel, autor da pergunta.

O tiro saiu pela culatra.

O corte viralizou, ultrapassou os 2 a 3 milhões de visualizações e serviu como catalisador para a virada de Hildon. Ele saltou para o primeiro lugar, foi ao segundo turno contra Leo Moraes e venceu com a maior votação da história da capital.

O que isso ensina ao marketing político?

Na política, nem sempre é o plano que vence — às vezes, é o momento.
Um improviso carregado de verdade, alinhado à imagem do candidato, pode valer mais do que mil marqueteiros.

Mas atenção:
Essa autenticidade só funciona quando o discurso casa com a biografia, com o tom que o eleitor já percebe. Se for artificial, o efeito pode ser o oposto.

Esse episódio não foi sorte. Foi oportunidade bem aproveitada.
E quem trabalha com estratégia política precisa saber reconhecer — e amplificar — essas viradas que não se ensaiam, mas que mudam tudo.

Por Ivan Lara – estrategista, consultor de marketing político e especialista em comunicação governamental

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