Marketing político é muito mais do que só conhecer o lugar

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Marketing político é muito mais do que só conhecer o lugar

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Já ouvi essa frase mais vezes do que deveria em quase duas décadas de consultoria política.

“Mas aqui sempre foi assim.”

É a frase mais cara que existe em marketing político. E quem a usa geralmente não percebe o tamanho do que está dizendo.

Ela aparece de formas diferentes. Às vezes é dita com convicção, como quem tem a resposta antes da pergunta. Às vezes é dita com gentileza, como quem quer me poupar do trabalho de entender o lugar. Às vezes é dita com autoridade, como quem quer me colocar na posição de forasteiro que não conhece a realidade local.

O problema é que todas essas versões têm o mesmo efeito: encerrar o diálogo antes de ele começar.

Marketing político não é sobre conhecer o lugar. É sobre conhecer o comportamento humano. E comportamento humano tem padrões que se repetem em Rondônia, em São Paulo, no interior do Piauí ou em qualquer município do Brasil. O eleitor que decide no último momento, a rejeição que cresce silenciosa, a narrativa que cola e a que não cola, o candidato que aparece forte nas pesquisas e some no segundo turno. Isso não muda de endereço.

Quem diz “aqui sempre foi assim” está usando o passado como escudo contra a estratégia. E isso tem um nome no marketing político. Chama-se viés de confirmação. É quando você já decidiu o que quer fazer e busca razões para não mudar.

O pior não é o candidato que não sabe. É o candidato que sabe, que contratou quem sabe, e ainda assim escolhe o caminho que sempre conheceu. Porque esse candidato não perdeu por falta de recurso, não perdeu por falta de tempo, não perdeu por falta de estratégia.

Perdeu por excesso de certeza.

Avião que ignora o painel de controle não cai por falta de motor. Cai porque alguém achou que sabia voar sem precisar olhar para os instrumentos.

Aqui sempre foi assim.

Até o dia que não foi mais.