Flávio Bolsonaro favorito hoje com 75% a 85% de chance, mostra o raio-x completo das pesquisas

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Flávio Bolsonaro favorito hoje com 75% a 85% de chance, mostra o raio-x completo das pesquisas

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A soma de tudo o que se pode medir antes da urna aponta para uma vitória de Flávio Bolsonaro com algo entre 51% e 52% dos votos válidos, e dá a Lula uma chance de virada que não é desprezível, mas é minoritária. A média ponderada das quinze pesquisas finais, com peso maior para os institutos que mais acertaram em segundos turnos, fecha em 51,0% para Flávio e 49,0% para Lula. Quando se aplica a essa média a correção sugerida pelo histórico recente, em que o candidato de direita saiu das urnas acima do que as pesquisas mediam em 2018, em 2022 e no primeiro turno deste ano, a estimativa central sobe para 51,7% contra 48,3%. O intervalo em que o resultado deve cair em oito de cada dez cenários simulados vai de 49,8% a 53,7% para Flávio.

Os números em seis gráficos

Gráfico com as 15 pesquisas finais do 2º turno, instituto a instituto
Gráfico com a trajetória da vantagem de Flávio Bolsonaro ao longo das pesquisas de 2º turno
Gráfico com o histórico de erro das pesquisas, 1º e 2º turno, em cinco eleições
Gráfico com a projeção do modelo: Flávio Bolsonaro com 51% a 52% dos votos válidos e entre 75% e 85% de chance de vitória
Gráfico com a transferência de votos dos candidatos eliminados no 1º turno para Flávio Bolsonaro e Lula no 2º turno
Gráfico explicando como acompanhar a apuração dos votos no dia da eleição

Traduzido em probabilidade, Flávio tem entre 75% e 85% de chance de vencer, conforme se confie mais ou menos na repetição do viés histórico, e Lula tem entre 15% e 25%. Nenhum desses números é previsão de oráculo. São o resultado de um método que este texto explica passo a passo, com todas as fontes nomeadas, para que o leitor possa conferir cada etapa contra o placar de hoje à noite.

O ponto de partida é o resultado oficial de 4 de outubro. Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, e Lula 53,9 milhões, ou 45,16%, uma diferença de 2,22 milhões de votos, segundo a totalização do TSE. Os candidatos eliminados somaram 7,81% dos válidos, cerca de 9,3 milhões de votos, divididos entre Augusto Cury com 2,89%, Renan Santos com 2,24%, Ronaldo Caiado com 2,18%, Romeu Zema com 0,27% e os nanicos. Flávio venceu em quinze unidades da federação, incluindo todo o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, e Lula em doze, os nove estados do Nordeste mais Amazonas, Amapá e Pará. A abstenção foi de 21,08%, a maior desde 1998.

Entre os turnos, a direita e o centro se fecharam em torno de Flávio em quatro dias. Zema declarou apoio em 5 de outubro, Caiado em 6, em ato em Goiânia ao lado de Tarcísio de Freitas, e Cury em 8, depois de Flávio assinar um termo de compromisso com oito pontos. Progressistas, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo seguiram o mesmo caminho. Renan Santos, terceiro colocado entre os eliminados, declarou que não votaria em nenhum dos dois e que não recomendaria voto a ninguém. O PSD de Kassab e o MDB ficaram neutros. Do lado de Lula vieram apenas os partidos de esquerda que já estavam na coligação e três siglas nanicas. Houve dois debates, na Band em 18 de outubro e na Globo em 23, e a maioria dos painéis de colunistas deu vantagem a Lula no segundo, sem que nenhuma pesquisa registrasse movimento relevante de voto depois dele. O Datafolha mediu que apenas 2% dos eleitores dizem ter mudado de voto por causa do debate da Globo.

As pesquisas de segundo turno começaram com vantagem folgada de Flávio e terminaram apertadas. Na primeira semana depois do primeiro turno, Datafolha, AtlasIntel, Ipespe e PoderData mediam entre 52% e 53% para Flávio nos votos válidos. Na véspera da votação, os quatro grandes institutos presenciais ou de grande amostra convergiram para a mesma fotografia. O Datafolha, que ouviu 4.050 eleitores em 23 e 24 de outubro, mediu 51% contra 49%. A Quaest, com 3.702 entrevistas nos mesmos dias, também 51% contra 49%. A AtlasIntel, com 4.990 entrevistas entre 18 e 23 de outubro, 50,8% contra 49,2%. O PoderData, com 4.000 entrevistas em 23 e 24, 51% contra 49%. A CNT/MDA mediu 50,7% contra 49,3%, o BTG/Nexus 50,5% contra 49,5%, a Futura 50,1% contra 49,9%, o Ipespe 50,5% contra 49,5%, a Indexa 50,6% contra 49,4%, o Meio/Ideia 51,1% contra 48,9%. Os institutos de tracking telefônico com recursos próprios mediram vantagens maiores, com Gerp, Real Time Big Data e Alfa em 52% contra 48% e a Veritá, com 15.554 entrevistas, em 51,56% contra 48,44%. A única pesquisa final com Lula à frente foi a da Vox Brasil, com 50,6% contra 49,4%. Na compilação do Poder360, Flávio aparece numericamente à frente em dezessete das dezoito pesquisas mais recentes.

Dois detalhes das pesquisas finais pesam na leitura. O primeiro é que o Datafolha chegou a medir empate de 50% a 50% em 22 de outubro, antes de voltar a 51% contra 49% na véspera, o que mostra que a disputa esteve dentro da margem de erro durante toda a última semana. O segundo é que os três institutos que publicaram modelos de eleitor provável, isto é, que dão mais peso a quem tem maior chance de comparecer, deslocaram a estimativa em direção a Flávio. Entre os 76% dos entrevistados do Datafolha com alta propensão a votar, Flávio tem 52% contra 48%, enquanto entre os 24% de baixa ou média propensão Lula tem 52% contra 48%. O modelo de propensão do BTG/Nexus dá 52,4% contra 47,6%, e a Quaest adotou pela primeira vez um filtro de eleitor provável na pesquisa final. Nenhum fato novo decisivo surgiu entre os turnos. O áudio de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e o caso Ana Clara, usados nos debates, são temas anteriores ao primeiro turno, e a disputa da coligação de Lula com a Meta no TSE foi o principal fato institucional do período.

Antes de usar as pesquisas de hoje é preciso saber quanto elas costumam errar em dia de segundo turno. Para isso foram recalculados os erros de 31 pesquisas finais dos cinco segundos turnos presidenciais entre 2006 e 2022, sempre em votos válidos e contra o resultado oficial do TSE. O erro médio absoluto no percentual do vencedor foi de 1,79 ponto. Quando se consideram apenas os institutos de linha principal, Datafolha, Ibope e depois Ipec, MDA, Quaest, AtlasIntel, PoderData, Ipespe, Real Time Big Data e Paraná Pesquisas, o erro médio cai para 1,20 ponto, e dezesseis das 21 pesquisas ficaram a menos de dois pontos do resultado. O Datafolha tem o melhor histórico de segundo turno do país, com erro médio de 0,56 ponto em cinco eleições e nunca acima de 1,1. O Ibope, hoje Ipec, piorou a cada ciclo, de 0,17 ponto em 2006 para 3,1 em 2022. Os maiores erros foram de institutos menores que apontaram o vencedor errado, como a Vox Populi em 2018 e a Brasmarket em 2022.

Esse histórico tem uma direção. Em 2006, 2010 e 2014 os institutos de linha principal erraram pouco e sem lado. Em 2018 e 2022 o erro dobrou e passou a ter sinal. Nesses dois ciclos o candidato do PT foi superestimado em média 0,66 ponto no percentual de válidos, o que equivale a 1,3 ponto na diferença entre os dois. Em 2022 a média dos oito institutos classificados nos grupos de maior precisão deu Lula com 52,5% dos válidos, e a urna deu 50,9%. Só o Paraná Pesquisas, com 50,4% para Lula, a CNT/MDA, com 51,1%, e o Datafolha e a Quaest, com 52%, ficaram dentro da margem declarada. Os três institutos que previram vitória de Bolsonaro naquele ano erraram o vencedor, o que não é acerto.

No primeiro turno a história é mais dura e mais consistente. O candidato de direita foi subestimado em todos os ciclos recentes. Aécio Neves saiu das urnas de 2014 sete pontos acima da média de Datafolha e Ibope. Jair Bolsonaro ficou cinco pontos acima das pesquisas em 2018 e de novo cinco pontos em 2022, quando o Ipespe errou 8,2 pontos, o Datafolha 7,2, o Ipec 6,2 e a Quaest 5,2, enquanto a AtlasIntel chegou mais perto, com 2,1. Neste ano a subestimação se repetiu, menor. Flávio Bolsonaro saiu em média 2,5 pontos acima das nove pesquisas finais comparáveis, segundo levantamento do Congresso em Foco, com o Datafolha errando 5 pontos, a CNT/MDA 4,9, o PoderData 4, a AtlasIntel 2,9 e a Quaest 2, enquanto Veritá, Gerp, Futura e Palver acertaram a ordem e ficaram a menos de dois pontos. Lula, em todos esses ciclos, saiu das urnas quase exatamente onde as pesquisas o colocavam. O erro se concentra no adversário do PT, não no PT.

A razão importa para o que vai acontecer hoje. A literatura brasileira e a internacional convergem em uma explicação para o erro de primeiro turno que não se aplica da mesma forma ao segundo. O voto útil de última hora, em que eleitores de terceiros candidatos e indecisos migram para o adversário mais competitivo do governo, e a abstenção assimétrica, em que o eleitor mais pobre e menos mobilizado comparece menos do que declara, foram as duas explicações dadas pelos próprios institutos e por pesquisadores como Antonio Lavareda, Felipe Nunes e Marcelo Toledo para 2022. Nenhuma das duas existe com a mesma força numa disputa entre dois nomes. Fernando Meireles e Guilherme Russo, em artigo de 2022 na revista Estudos Avançados sobre mais de 34 mil pesquisas registradas no TSE, mostraram que o erro quadrático das pesquisas de véspera em segundos turnos é cerca de um quarto menor do que em primeiros turnos, e que o erro médio de véspera no Brasil é de 1,8 ponto, comparável ao dos Estados Unidos. Will Jennings e Christopher Wlezien, em estudo publicado na Nature Human Behaviour com 30 mil pesquisas de 45 países, encontraram erro médio de 2,7 pontos em presidenciais na última semana. Shirani-Mehr, Rothschild, Goel e Gelman, no Journal of the American Statistical Association, mostraram que o erro real de uma pesquisa final é cerca de duas vezes a margem que ela declara, porque a margem só cobre o sorteio da amostra e não os erros de cobertura, de não resposta e de ponderação. A força-tarefa da associação americana de pesquisadores de opinião sobre 2020 concluiu que a causa principal do erro naquele ano foi a recusa diferencial de eleitores de um dos lados em responder, e não o eleitor que mente.

A conclusão prática é dupla. Uma pesquisa final de segundo turno de instituto confiável erra, em média, pouco mais de um ponto no percentual de cada candidato, o que é muito menos do que no primeiro turno, mas é mais do que a margem de dois pontos declarada sugere quando o que se olha é a diferença entre os dois. E o erro dos últimos dois ciclos teve lado. Em 2022 os quatro grandes institutos subestimaram Bolsonaro em 5,2 pontos no primeiro turno e em 1,95 ponto no segundo, ou seja, cerca de um terço do erro sobreviveu à passagem de um turno para o outro. É esse padrão, e não uma convicção, que justifica aplicar hoje uma correção modesta em favor de Flávio, e é também o que justifica apresentar os números com e sem ela.A segunda fonte de informação independente das pesquisas de intenção de voto é o comportamento conhecido do eleitor de candidato eliminado. A ciência política brasileira tem três achados estáveis sobre isso. O primeiro é que o eleitor de terceira via nunca transfere em bloco. Lucio Rennó e Bruno Hoepers, com os dados do Estudo Eleitoral Brasileiro de 2006, estimaram que cerca de 4% do eleitorado migra de um candidato derrotado para um finalista no segundo turno, uma fatia pequena, mas decisiva em disputas apertadas. O segundo é que o apoio formal do candidato eliminado move pouco quem já tinha preferência. Em 2014, o Datafolha mediu que 66% dos eleitores de Marina Silva já votariam em Aécio antes de ela declarar apoio, e 67% deles disseram que o apoio não faria diferença. Em 2022, ao contrário, a migração dos eleitores de Simone Tebet para Lula demorou duas semanas para aparecer, de 31% na primeira pesquisa depois do apoio para 59% dos válidos na véspera, o que indica que o apoio importa quando o eleitor está de fato dividido. O terceiro achado é que o eleitor de terceira via é muito mais volátil do que o dos finalistas. Frederico Batista Pereira e Felipe Nunes, em artigo de 2024 na revista Opinião Pública com dados da Quaest de 2022, mediram que metade dos eleitores da terceira via admitia mudar de voto, contra 15% dos eleitores de Lula e de Bolsonaro, e que um apelo direto ao voto útil elevava em 14 pontos a chance de mudança nesse grupo, sem efeito algum sobre quem votava nulo ou se abstinha.

Os dados de 2026 seguem esses padrões, com uma exceção importante. Os eleitores de Caiado são o único grupo em que todos os institutos concordam. Entre 42% e 70% deles declaram voto em Flávio, com a AtlasIntel registrando o maior salto, de 54,9% para 69,8%, entre a primeira e a segunda semana depois do apoio formal. Os eleitores de Zema, agrupados pela AtlasIntel com os demais pequenos candidatos de direita, vão 61% para Flávio e 31% para Lula. Os eleitores de Renan Santos, que declarou que não votaria, são o grupo que mais se recusa a escolher, com 24% a 43% de branco, nulo ou abstenção declarados, e se dividem de forma quase igual entre os finalistas na AtlasIntel e na Palver, com leve vantagem de Flávio nas pesquisas telefônicas. A exceção é o eleitor de Cury. Apesar do apoio formal de Cury a Flávio em 8 de outubro, a Quaest mediu entre 17 e 20 de outubro que 48% desses eleitores votariam em Lula e 33% em Flávio, e a AtlasIntel mediu 52,1% para Lula contra 42,4%. Nas pesquisas telefônicas, o Ipespe e o PoderData mediram o contrário, com Flávio entre 47% e 50% e Lula entre 31% e 36%. O perfil do eleitor de Cury explica a divergência. Ele é mais feminino, mais jovem, mais nordestino e de renda mais baixa do que a média, segundo os recortes de agosto e setembro do PoderData e da AtlasIntel, e em quatro desses cinco cortes Lula lidera nas pesquisas de segundo turno. Isso reproduz o padrão de 2014, em que o apoio formal pesou menos do que a inclinação prévia do eleitor.

Quando se agrega tudo, o bloco dos eliminados pende para Flávio, mas por menos do que o apoio dos candidatos sugeria. O Datafolha mediu em 13 e 14 de outubro que, somados os eleitores de Cury, Renan, Caiado e Zema, 46% iriam para Flávio, 27% para Lula e 23% para branco ou nulo. Aplicado aos 9,3 milhões de votos do bloco, isso dá um saldo líquido de cerca de 1,8 milhão de votos para Flávio. Aplicadas as matrizes da AtlasIntel candidato a candidato, em que o eleitor de Cury dá saldo negativo para Flávio e o de Caiado dá saldo de 1,2 milhão, o saldo líquido cai para cerca de 1 milhão. Em qualquer das duas contas o bloco amplia a diferença de 2,22 milhões do primeiro turno em vez de reduzi-la. O FGV Cepesp calculou, a partir de 287 disputas brasileiras em que o líder do primeiro turno venceu o segundo em 75,5% dos casos, que Lula precisaria de cerca de 62% dos votos dos eliminados para virar, e nenhuma pesquisa mediu esse número para ele.

Restam dois canais para uma virada, e os dois dependem de quem comparece. A retenção declarada é altíssima dos dois lados, com 97% dos eleitores de Flávio e 96% dos de Lula repetindo o voto no Ipespe e 98% contra 93% no PoderData da véspera, com cruzamentos de 1% a 2% em cada direção. Já quem não votou no primeiro turno pende para Lula em todas as pesquisas que isolam esse grupo, com 55,7% contra 40,2% na AtlasIntel e 40% contra 36% na Quaest. Só que esse é também o grupo com menor probabilidade de comparecer. No PoderData, 94% dos entrevistados dizem que certamente votarão, mas entre os jovens de 16 a 24 anos, onde Lula tem 53% contra 42%, o número cai para 88%, e apenas 11% admitem não ter votado no primeiro turno, quando a abstenção real foi de 21,08%. A abstenção subiu do primeiro para o segundo turno em 2006, 2010, 2014 e 2018 e caiu 0,4 ponto em 2022, o único precedente de disputa tão polarizada quanto a de hoje. O sinal da abstenção, portanto, é favorável a Flávio, e o próprio relatório do BTG citado pelo Poder360 estimou que ela precisaria cair entre 3 e 13 pontos para mudar o resultado.O modelo junta as três peças em quatro passos, e cada escolha está declarada para que possa ser contestada. O primeiro passo é a média das pesquisas finais. Entraram as últimas pesquisas de quinze institutos com campo encerrado entre 19 e 24 de outubro e percentual de votos válidos publicado. Ficaram de fora a Palver, que não divulga válidos, e a DataTrends e o Instituto França, cujos números finais circularam apenas em agregadores sem confirmação em fonte primária. Cada pesquisa recebeu três pesos multiplicados. O peso de histórico segue o critério que o jornal O POVO adotou para 2026, com peso 1,5 para os seis institutos cujo erro mediano nas vésperas presidenciais de 2014, 2018 e 2022 ficou abaixo de 2,5 pontos, que são Quaest, Real Time Big Data, Ideia, CNT/MDA, AtlasIntel e Datafolha, peso 1 para Ipespe, e, por escolha deste modelo, peso 0,75 para institutos fora do ranking que erraram menos de 2,5 pontos no segundo turno de 2022, como PoderData, Futura e Veritá, e peso 0,5 para os que erraram mais ou não têm histórico, como Gerp, Nexus, Indexa, Vox Brasil e Alfa. O peso de recência cai pela metade a cada quatro dias desde o fim do campo, como no modelo público do site Scoras, e o peso de amostra cresce com a raiz do número de entrevistas, com teto para que a Veritá, com 15 mil entrevistas, não domine a média. O resultado é 51,0% para Flávio e 49,0% para Lula, uma diferença de 2 pontos. O número é robusto a todas as variações testadas. Só com os seis institutos do grupo de maior precisão dá 51,0%. Sem nenhum peso por histórico dá 51,0%. Com o decaimento linear de dez dias do O POVO dá 51,0%. Com a inclusão das duas pesquisas não confirmadas dá 51,0%. A média simples das quinze é 50,95% e a mediana é 51%. Trocando as estimativas convencionais pelos modelos de eleitor provável onde eles existem, a média sobe para 51,2%. Os três maiores pesos ficaram com Datafolha, Quaest e AtlasIntel, cada um com cerca de 14% do total.

O segundo passo é a correção de viés, e aqui está a escolha mais discutível do modelo. O histórico mostra que em 2018 e 2022 os institutos de linha principal superestimaram o candidato do PT em 1,3 ponto na diferença de segundo turno, que no primeiro turno deste ano eles subestimaram a vantagem de Flávio em cerca de 3 pontos, e que em 2022 pouco mais de um terço do erro de primeiro turno sobreviveu ao segundo. A correção adotada soma 1,5 ponto à diferença em favor de Flávio, com incerteza do mesmo tamanho, o que leva a estimativa central a 51,7% contra 48,3%. Uma variante que corrige cada instituto pela metade do seu próprio erro no primeiro turno, como faz o Scoras, chega a 51,9%. A correção é um palpite informado por cinco eleições, não uma lei, e por isso o resultado sem ela aparece ao lado em todas as tabelas.

O terceiro passo é a contraprova de baixo para cima. Em vez de perguntar aos eleitores em quem votarão, parte-se dos 119,3 milhões de votos válidos do primeiro turno e aplica-se a cada grupo o comportamento que as pesquisas mediram, com as taxas de retenção do Ipespe e do PoderData, as seis matrizes de transferência disponíveis para os eliminados, a divisão dos brancos e nulos do primeiro turno medida pela AtlasIntel e cenários de abstenção igual, menor e maior do que a de 4 de outubro. As doze combinações de matriz e retenção dão Flávio entre 51,7% e 53,9%, com mediana de 52,8%. A abstenção caindo dois pontos, com os novos eleitores pendendo a Lula como mede a AtlasIntel, tira apenas 0,3 ponto de Flávio. O resultado mais sensível é ao destino do eleitor de Cury, que sozinho move a conta em quase um ponto conforme se use a matriz da Palver, mais favorável a Lula, ou a do PoderData. A contraprova aponta mais alto do que as pesquisas porque usa matrizes medidas entre 13 e 20 de outubro, antes da recuperação final de Lula nas intenções de voto, e por isso ela não substitui a média, mas confirma que a estrutura da disputa favorece quem saiu na frente.

O quarto passo transforma tudo em probabilidade. A incerteza relevante não é a da amostra de cada pesquisa, que com quinze levantamentos e 50 mil entrevistas seria mínima, e sim o erro comum a todas elas numa mesma eleição, que é o que Shirani-Mehr e colegas chamaram de viés de eleição. Para a diferença entre os dois candidatos, o modelo usa um desvio padrão de 3 pontos, entre os 2,3 pontos do erro típico dos segundos turnos de 2014, 2018 e 2022 e os 3,4 pontos que o erro das pesquisas individuais sugere, e soma a isso a incerteza da própria correção. Com 200 mil cenários simulados, Flávio vence em 79% deles sem a correção e em 87% com ela. Pela aproximação normal, mais conservadora, os números são 75% e 85%. Usando o desvio mais apertado de 2,3 pontos a chance vai a 81% e 90%, e com o mais largo de 3,4 pontos cai a 72% e 83%. O intervalo de 80% para o percentual de Flávio vai de 49,3% a 52,7% sem correção e de 49,8% a 53,7% com ela. O intervalo de 95% no cenário corrigido vai de 48,4% a 55,1%. Em linguagem simples, o resultado mais provável é Flávio com 51% a 52%, uma vitória de Lula é possível se as pesquisas errarem cerca de dois pontos na direção oposta à dos últimos dois ciclos, e uma vitória de Flávio por mais de cinco pontos é tão improvável quanto a virada.Os números do modelo não estão sozinhos. Os mercados de apostas, que movimentaram 197 milhões de dólares na Polymarket, precificavam Flávio em 79% na manhã de hoje e a Kalshi em 80% a 81%, com os contratos de margem de vitória implicando uma diferença de 2,5 a 3,7 pontos, acima da média das pesquisas. O modelo estatístico do Scoras, com método publicado, dá 81,5% e 51,8% contra 48,2%. Os modelos estruturais do FGV Cepesp, que não usam pesquisas, dão entre 70,5% e 81%. A projeção da Opinião Inteligência Política dá 86% e o economista Marcelo Lyra, com 454 segundos turnos desde 1994, dá cerca de 82%. A Eurasia Group é a exceção, e cortou a chance de Flávio de 80% para 60% em 23 de outubro, argumentando que o problema dele era a tendência de queda e não o tamanho da vantagem, num julgamento analítico sem modelo. Vale lembrar que os mesmos mercados davam a Lula entre 72% e 74% de chance de terminar o primeiro turno em primeiro lugar, e erraram.

Quem aposta na virada de Lula tem argumentos, e eles merecem ser apresentados na forma mais forte antes de serem respondidos. O primeiro é a tendência. Flávio perdeu entre três e quatro pontos de vantagem ao longo do segundo turno, o Datafolha chegou a medir empate em 22 de outubro, e a Eurasia cortou a chance dele para 60% exatamente por isso. A resposta é que a queda parou. As quatro pesquisas de maior amostra da véspera, feitas depois do debate da Globo, mediram a mesma diferença de 1,6 a 2 pontos, e o próprio Datafolha voltou a 51% contra 49%. Uma tendência que se estabiliza na véspera não é uma tendência que vira no dia.

O segundo argumento é que todas as pesquisas finais estão dentro da margem de erro, logo o resultado seria uma moeda. A resposta é que margem de erro mede a incerteza de uma pesquisa, não de quinze apontando para o mesmo lado. Dezessete das dezoito últimas pesquisas colocaram Flávio à frente, e a dispersão entre institutos, de apenas 0,7 ponto, é menor do que o erro histórico de cada um deles. Isso significa que a incerteza relevante é a de um erro comum a todos, e o histórico diz que esse erro, nos dois últimos ciclos, foi contra o adversário do PT, não a favor. Para Lula vencer, as pesquisas precisariam errar cerca de dois pontos no sentido oposto ao de 2018, de 2022 e do primeiro turno de 2026. Não é impossível, e a AtlasIntel mostrou em 2022 que um instituto pode errar 2,5 pontos para o lado do PT num segundo turno depois de ter sido o mais preciso no primeiro. Mas é a aposta menos provável.

O terceiro argumento é o da abstenção. Lula lidera entre os eleitores de baixa propensão a votar, entre os jovens e entre quem não compareceu em 4 de outubro, e uma mobilização de última hora desse grupo mudaria o resultado. É o canal mais plausível de virada e o modelo o testou. Mesmo com a abstenção caindo dois pontos, o que seria o maior recuo entre turnos da série histórica, e com os novos eleitores pendendo a Lula na proporção que a AtlasIntel mediu, Flávio ainda fica acima de 51,9% na contraprova de baixo para cima. A abstenção subiu em quatro dos cinco segundos turnos anteriores.

O quarto argumento é o da Vox Brasil, único instituto com Lula à frente em todas as rodadas, e do tracking não identificado que o governador Rafael Fonteles divulgou na noite de sábado com os mesmos 50,6% contra 49,4%. A resposta é que a Vox Brasil não tem histórico de véspera presidencial que permita avaliar sua precisão, e que um tracking sem instituto nem registro no TSE não é pesquisa. O modelo manteve a Vox na base, com peso baixo, e ela pesa 2,5% da média.

O quinto argumento vai na direção contrária e também merece resposta. Se as pesquisas subestimam a direita, por que não projetar Flávio com 53% ou 54%, como fazem os trackings telefônicos e a contraprova de transferência? Porque o histórico de segundo turno não sustenta isso. O erro de 2022 foi de 1,6 ponto no percentual de Lula para os melhores institutos, não de 3 ou 4, e em 2018 o Datafolha acertou o resultado de Bolsonaro com erro de 0,1 ponto. Os institutos que mediram Bolsonaro acima de 51% em 2022 erraram o vencedor. Aplicar hoje a subestimação inteira do primeiro turno seria repetir, com sinal trocado, o erro de quem tratou as pesquisas de 2022 como profecia. Há ainda o argumento de que institutos não fazem prognóstico, como o Datafolha repetiu em 2022 ao dizer que pesquisa é diagnóstico, e ele é verdadeiro. Por isso a projeção não é das pesquisas, é de um modelo que as usa como matéria-prima e assume a responsabilidade pelo resultado.A apuração de hoje tem um roteiro conhecido, e ele engana quem olha o placar cedo demais. No primeiro turno, Flávio assumiu a liderança com os primeiros boletins e mantinha 9 pontos de vantagem às 19h, quando quase metade das urnas estava apurada, segundo o registro da Folhapress. A diferença caiu com a chegada dos votos do Nordeste, em especial de Bahia e Ceará, e fechou em 1,87 ponto. Isso significa que a segunda metade das urnas deu a Lula uma vantagem de cerca de 5 pontos. Se a ordem de chegada dos boletins se repetir, o que não é garantido porque ela muda a cada eleição, Flávio precisa de uma vantagem de cerca de 7 pontos com metade das urnas para terminar à frente, e uma vantagem de 10 pontos nesse momento indicaria resultado final perto de 3 pontos. No segundo turno de 2022, Bolsonaro liderou até 67% das urnas apuradas, Lula passou à frente às 18h44, o Datafolha projetou a vitória por volta das 19h e o TSE a confirmou às 19h56 com 98,91% das seções. Pela regra de 2022, com dois terços apurados, uma vantagem de 2 pontos de Flávio ainda seria empate técnico. A ordem só é confiável depois de 70% das seções.

A votação termina às 17h de Brasília, com divulgação a partir desse horário, e a cúpula do TSE, segundo a colunista Malu Gaspar, espera ter o resultado matemático por volta das 20h30. No primeiro turno houve uma pausa de 50 minutos na tela nacional do site do TSE, entre 19h14 e 20h04, com 64,81% dos dados divulgados, que o tribunal atribuiu a um protocolo de segurança e que não afetou a totalização, segundo nota oficial e checagem da agência Lupa. O TSE informou que desenvolveu nova rotina técnica para evitar interrupções hoje.

Três faixas de resultado permitem conferir o modelo e as pesquisas quando a apuração fechar. Se Flávio terminar entre 50,5% e 52,5% dos válidos, as pesquisas finais e a média ponderada acertaram dentro do erro histórico de segundo turno, e a correção de viés terá sido irrelevante ou útil. Se Flávio passar de 52,5%, o padrão de subestimação do candidato de direita terá se repetido pelo terceiro ciclo seguido e com força maior do que a correção assumiu, o que recoloca a questão metodológica dos institutos para 2028 e 2030. Se Lula vencer, as pesquisas terão errado no sentido oposto ao de 2018 e 2022, pela primeira vez desde 2014, quando a CNT/MDA e a Sensus apontaram Aécio e a urna deu Dilma, e a explicação mais provável estará na composição do comparecimento, que é o único canal em que os dados de hoje deixam espaço para uma virada.

O que separa uma projeção de um palpite não é acertar, é poder ser conferida. Tudo o que está neste texto tem fonte nomeada, método declarado e um número que a urna vai confirmar ou desmentir ainda hoje. A leitura mais provável é Flávio Bolsonaro eleito com 51% a 52% dos votos válidos, numa disputa que vai parecer virada até dois terços da apuração e depois se assentar. A segunda leitura mais provável é uma vitória de Lula por menos de dois pontos, carregada pelo comparecimento de quem as pesquisas têm mais dificuldade de alcançar. Entre uma e outra, a diferença é de cerca de quatro para um. Quem quiser saber se os institutos aprenderam com 2022 tem hoje a melhor prova possível, e ela sai antes das 21h.

Nota de transparência. Este artigo foi produzido com auxílio de inteligência artificial. O levantamento das pesquisas registradas, do histórico de acerto dos institutos e da literatura científica, a construção do modelo estatístico e a redação inicial foram feitos com o Claude, da Anthropic, sob direção, revisão e responsabilidade editorial do autor. Todos os números foram conferidos contra as fontes nomeadas no texto, e o método está descrito por inteiro para que qualquer leitor possa refazê-lo. Pela mesma razão, o artigo será confrontado com o resultado oficial das urnas assim que a apuração terminar.